sábado, 23 de fevereiro de 2008


Oi, gente!


Conforme prometido, peguei o livrinho de histórias da tia Márcia e estou aqui para contar a vocês a história de Pedrinho Pererê, um garotinho muito levado, de uma perna só, que sonhava em ser o artilheiro de um time de futebol...espero que vocês gostem! -:)



Era uma vez, um garotinho muito peralta e esperto, que se chamava Pedrinho. Pedrinho era pretinho, tinha cabelos e olhos pretos, sendo que estes eram bem grandes e esbugalhados, como duas suculentas jaboticabas. Seu corpinho era franzino e havia um detalhe que o fazia um pouco diferente dos outros garotinhos da sua idade: Pedrinho tinha uma perna só. E essa diferença gerou seu apelido: Pedrinho Pererê. Sua família e todos que o conheciam o chamavam assim. Ele usava duas muletinhas de madeira e sua semelhança com o saci (personagem das lendas infantis) era incrível! E ele, assim como o Saci, era muito brincalhão e adorava fazer amigos.

Pedrinho morava com seus pais numa pequena cidade chamada Vila dos Sonhos e, certo dia, seu pai, por motivo de trabalho, precisou mudar-se para uma cidade grande. Todos ficaram tristes, pois gostavam da pequenina cidade e Pedrinho tinha muitos amigos por lá, mas teve que deixar todos para trás, infelizmente. Seu sonho era que seu pai ganhasse muito dinheiro no novo emprego, assim eles ficariam ricos e poderiam retornar à cidadezinha para Pedrinho poder rever seus amiguinhos.

Chegando à cidade grande, Pedrinho e sua família, depois de conhecerem sua nova casa, foram conhecer sua nova escola.Era encantadora! Tinha uma enorme quadra de futebol e o maior sonho de Pedrinho era jogar no time de futebol da escola e ser o artilheiro desse time, mas como? Ele só tinha uma perna! Mesmo assim, ele não desanimava. A escola era linda, bem diferente da outra. havia muitas salas de aula e um parque cheio de brinquedos: roda, escorrega, balanço, gangorra; tudo que Pedrinho amava. Ele gostou da escola logo de cara, e pensou: vou fazer muitos amigos por aqui e também vou realizar todos os meus sonhos! E ele tinha muitos sonhos. Isso era o que Pedrinho mais sabia fazer: sonhar!

No dia seguinte, Pedrinho acordou cedo para o seu primeiro dia de aula em sua nova escola. Tomou banho, passou shampoo no cabelinho encaracolado, vestiu seu uniforme azul e branco, poliu bem as muletinhas de madeira, tomou seu café com leite e pão na manteiga, e foi junto com seu pai à escola. Estava muito ansioso!


Chegando lá, Pedrinho percebeu olhares muito curiosos. Todos olharam para ele, desde o portão até a sala de aula. Ele achou esquisito, mas estava louco para fazer logo novas amizades e foi logo procurar sua sala.
Finalmente, o sino da escola tocou. Havia chegado a tão sonhada hora do recreio. Pedrinho pegou seu lanche e foi o mais rápido que pôde, com suas muletinhas, para o pátio. Lá, estavam todas as crianças. Ele tentou se aproximar, mas sentiu que os meninos não queriam sua companhia, todos o evitavam e ficavam o tempo todo olhando para sua única perninha e cochichando. Pedrinho não estava feliz com aquela situação, sentia-se como um avestruz, de tão encabulado, o pobrezinho. -:(
Foi aí que uma linda menina, de cabelos e olhos castanhos, aproximou-se de Pedrinho. Ele, que já estava sentindo-se muito triste e sozinho, sentiu-se bem ao lado dela, e ela perguntou:
-Qual o seu nome?
Ele respondeu:
-Meu nome é Pedro, mas todos lá na minha cidade me chamam de Pedrinho Pererê.
E ela:
-Legal seu apelido, Pedrinho! Eles te chamam assim por que você tem uma perna só?
E ele:
-É sim, minha mãe me contou que quando a cegonha veio me deixar, ela estava muito apressada e esqueceu minha outra perna no céu, e não dava mais tempo de voltar para pegar. Então, ela me aceitou assim mesmo e me ama muito, do jeitinho que eu sou.
-Mas, e você, como se chama? Perguntou ele.
-Me chamo Isabel, mas todos me chamam de Belinha. E os dois sorriram um para o outro e caminharam juntos pela escola.

Belinha era a primeira criança da escola que não estranhava o fato de Pedrinho ter apenas uma perna. Em poucos minutos, ele sentiu que ela já era sua amiga. Os dois dividiram o lanche, brincaram de roda, de gangorra e Pedrinho estava muito feliz. Ele sabia que o fato de ter uma única perna não o fazia menos feliz que os outros garotos. Pedrinho podia fazer tudo o que uma criança da idade dele fazia, até corria com as muletas, o danadinho! E Belinha era uma boa menina, tinha um bom coração; era educada, obedecia aos pais, aos professores e também respeitava muito os coleguinhas de escola. Era uma amizade tão perfeita quanto as flores!